Stock Car Pro Series 2026: A Stock Car Pro Series entra em 2026 com um regulamento técnico recém-homologado pela Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) — um documento que define, nos mínimos detalhes, como os carros da principal categoria do automobilismo brasileiro devem ser construídos, equipados e mantidos. E a palavra que resume tudo é padronização.
O campeonato, que completa mais uma temporada sob a propriedade do Grupo Veloci e organização da Vicar Promoções Desportivas, terá 12 eventos no calendário de 2026, com dois títulos em disputa: um para pilotos e outro para equipes. Por trás da disputa em pista, existe uma estrutura técnica centralizada — com a AudaceTech como laboratório oficial de validação e certificação — que busca garantir equilíbrio competitivo e custo controlado para todos os participantes.
Como a Stock Car Pro Series 2026 é regulamentada
A Stock Car Pro Series é regida tanto pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) quanto pela CBA, em conformidade com um conjunto de normas: o Código Desportivo Internacional (CDI/FIA), o Código Desportivo do Automobilismo (CDA/CBA), o Regulamento Técnico, o Regulamento Desportivo, o Regulamento Particular da Prova (RPP), os Boletins Técnicos e a Ficha de Homologação.
Alterações nos regulamentos são implementadas por meio de adendos, com vigência a partir de 15 dias após a publicação — exceto mudanças relacionadas à segurança, que valem imediatamente.
O carro da Stock Car: o SNG1

O veículo da Stock Car Pro Series 2026 é o SNG1: um carro de carroceria fechada, projetado e desenvolvido exclusivamente pela AudaceTech para uso restrito ao campeonato. Ele é proibido em qualquer outra competição ou evento.
O conjunto motopropulsor fica instalado no compartimento dianteiro, e o carro segue especificações rigorosas de carroceria: todas as dimensões e posições — altura, largura e comprimento de cada componente, são definidas na ficha de homologação e devem ser seguidas à risca. Toques e batidas que alterem essas dimensões podem ser analisados pelos comissários técnicos e, se houver vantagem constatada, gerar punições.
Há também regras práticas de pista: o carro deve iniciar treinos e provas sem reparos com fita adesiva, o uso é permitido apenas para pequenos consertos por segurança, durante o andamento da prova.
Padronização total e BoP
A filosofia técnica da categoria é clara: padronização integral de 100% dos componentes. Todos os itens são documentados por desenhos e tolerâncias dimensionais, com controle rigoroso, com o objetivo de promover uma competição mais equitativa e com custo controlado.
Sobre essa base igualitária, entra o Balance of Performance (BoP), o mecanismo de equilíbrio de desempenho entre as marcas participantes. Quando necessário, a categoria pode ajustar itens como:
- Massa do veículo;
- Componentes aerodinâmicos, suas dimensões e coordenadas de posicionamento;
- Geometria de suspensão, altura do veículo em relação ao solo e limitação da cambagem estática.
Essas alterações entram em vigor imediatamente após a divulgação via Boletim Técnico e podem ser aplicadas até mesmo durante um evento do campeonato.
Motor: aspirado, lacrado e controlado
O coração do SNG1 é um motor de combustão interna de ciclo Otto, aspirado naturalmente, sem sobrealimentação mecânica ou dinâmica. Os motores são desenvolvidos, validados e mantidos sob regime de exclusividade pela AudaceTech, instalados na posição longitudinal conforme as coordenadas da ficha de homologação.
O controle é rigoroso: os motores são lacrados, e qualquer violação do lacre, alteração ou substituição de componentes internos ou periféricos é considerada infração grave. O gerenciamento eletrônico usa a central MoTeC M142, com calibração homologada e a CBA tem acesso permanente ao software e aos seus parâmetros.
A troca de motor também tem consequências no grid:
- Primeira troca: perda de 3 posições no grid da primeira corrida após a troca;
- Segunda troca: perda de 5 posições;
- Terceira troca em diante: largada na última colocação.
Durante os eventos, a AudaceTech mantém uma reserva técnica de no mínimo 6 motores, distribuídos por ordem de solicitação até o limite de cada modelo.
Pneus: fornecimento único
Os pneus são componentes padronizados, fornecidos e distribuídos exclusivamente pela AudaceTech. A utilização de pneus de outra origem acarreta exclusão ou desclassificação do piloto e/ou da equipe. O regulamento cita, por exemplo, o pneu de chuva Wet 300/680R18 ZZ07, sinal de que a categoria segue com a política de fornecimento único para garantir uniformidade e equidade.
Massa, lastro e pesagem
O controle de massa é parte essencial do regulamento. A pesagem é feita na balança oficial disponível no local do evento, e o lastro é permitido desde que siga critérios rígidos: remoção apenas com uso de ferramentas, fixação firme à estrutura do veículo (chassis ou assoalho do habitáculo), sem movimento relativo à massa suspensa.
Na vistoria, o carro é pesado com o piloto na posição; na impossibilidade da presença do piloto, aplica-se lastro equivalente à massa dele no assento. Se o veículo não estiver equipado com pneus slick durante a vistoria, a massa é determinada usando um conjunto de pneus de pista seca selecionado pelo comissário técnico da CBA.
[REVISÃO HUMANA RECOMENDADA: o valor exato da massa mínima do conjunto (carro + piloto) não foi capturado na extração do PDF — o artigo original traz essa especificação em trecho que veio truncado. Verifique o valor na íntegra do regulamento antes de publicar.]
Chassis, habitáculo e segurança
O chassi é uma estrutura tubular projetada pela AudaceTech, construída com materiais controlados e considerada componente padronizado e homologado. Não pode sofrer qualquer modificação: reparos e manutenção precisam ser submetidos à AudaceTech, que avalia e emite laudo técnico sobre a reparabilidade.
O habitáculo é enxuto: cinto de segurança, banco, ECU, lastros, dois macacos pneumáticos com mangueiras e conexões, e os demais itens previstos no regulamento. O documento também reserva capítulos específicos para equipamentos e estruturas de segurança, que não puderam ser detalhados nesta extração.
Tecnologia embarcada
A categoria também padroniza o monitoramento de dados. O data logger MoTeC L120 é o equipamento oficial, responsável por registrar parâmetros de performance e segurança, entre eles:
- Velocidade das quatro rodas e velocidade GPS;
- RPM do motor;
- Temperaturas de refrigerante, lubrificante do motor, lubrificante do câmbio, dos quatro discos de freio, da cabine do piloto, do combustível e do fluido da caixa de direção;
- Pressões de refrigerante, lubrificante do motor e do câmbio, dos quatro pneus, do fluido de freio, da embreagem e da caixa de direção.
Conclusão
O regulamento técnico da Stock Car Pro Series 2026 desenha uma categoria onde a tecnologia a serviço da equalização é a protagonista: motor aspirado lacrado, componentes 100% padronizados, fornecimento único de pneus, controle de massa rigoroso e BoP dinâmico para equilibrar as marcas. Para o fã, isso significa corridas decididas mais pela habilidade em pista e pela estratégia de equipe do que pela vantagem de desenvolvimento técnico. É a Stock Car reafirmando sua identidade: competição de pilotos e equipes, com a engenharia trabalhando para deixar o jogo mais justo.














